20 de abril de 2014

Resenha - Banda: Symphony Draconis - Álbum: Supreme Art of Renunciation (2013)

Resenha por: Renato Sanson


O Black Metal nacional sempre revelou grandes nomes do estilo, muitos já consagrados na cena, e mais um nome surge com força em busca de tal consagração, estou falando do quinteto porto-alegrense Symphony Draconis que chega com o ótimo “Supreme Art of Renunciation”.

Mantendo aquela linha do Black Metal noventista, onde soa mais climático e soturno, o grupo gaúcho não se prende a rótulos, apostando em um trabalho mais polido e porque não bem feito.

Pois a qualidade musical apresentada é acima da média, seja pelas linhas vocais que exploram as partes mais rasgadas do estilo com boa alternância, pelos riffs e solos melodiosos mais do que empolgantes ou pelo baixo-bateria que soa técnico e pulsante.

A produção foi feita pela banda em parceria com o produtor Sebastian Carsin no Hurricane Estúdio em Porto Alegre, onde temos uma sonoridade limpa e extremamente polida, deixando o som bem na cara e atual. A parte gráfica ficou a cargo do designer Marcelo Vasco, que fez um trabalho genial, seja pela capa monstruosa e rica em detalhes ou pelo encarte completo e com belos detalhes.

Musicalmente o Symphony Draconis da um passo a frente no que se diz Black Metal, o que para “muitos” radicais soa desconfortante, para os que gostam de música extrema em geral e tem a mente aberta para novos caminhos será um prato cheio, pois “Supreme Art of Renunciation” é viciante.

“Transcending the Ways of Slavery”, “Eris Aeon” e “Demoniac by a Divine Power” mostram o lado mais agressivo, mas com excelentes variações e com um dinamismo fora do comum. Já “Supreme Art of Renunciation”, “Ain Soph Aur” e “Itzpapalotl” mostram o lado mais simples e melódico da banda, mostrando a grande diversidade musical em suas composições.

Black Metal feito por quem entende e não tem medo de ousar ou acrescentar, esse é o Symphony Draconis que chega para marcar seu nome na história da música extrema nacional.

Conheça mais a banda:


Assessoria: Ms Metal Press


Tracklist:
01 Transcending the Ways of Slavery  
02 Eris Aeon  
03 Demoniac by a Divine Power  
04 Supreme Art of Renunciation  
05 Ain Soph Aur  
06 The Visions and Mysteries of the Great Ones  
07 Crushing the Concepts  
08 Itzpapalotl  
09 Seeds of Evil


Formação:
Nechard (Vocal)
Aym (Guitarra)
Thiernox (Guitarra)
Follmer (Baixista)
Helles Vogel (Bateria)

19 de abril de 2014

Resenha - Banda: NowRong - Álbum: Prognostic of a Great Disaster (2014 - Shinigami Records)

Resenha por: Renato Sanson


Cada vez mais o Brasil mostra bandas novas de alto nível, e que de alguma forma trazem um gás a mais a sonoridades já consagradas, como por exemplo, o Thrash Metal, que nos últimos anos vem tendo uma enxurrada de grupos.

Mesmo a maioria tendo qualidade latente, são poucos os que se destacam com êxito, e o quarteto paulista NowRong é um dos grupos que conseguem tal destaque mesmo tendo uma sonoridade retrô.

O que ouvimos em seu Full Lenght de estréia (“Prognostic of a Great Disaster” que chega ao mercado nacional via Shinigami Records) é aquele Thrash Metal final dos anos 80, com grandes melodias, refrões matadores e riffs potentes, tudo aliado com certo “Q” de ousadia.

O que impressiona no som do NowRong é a vitalidade e feeling que soa, sendo empolgante e visceral fazendo seu pescoço saltar fora. Outro ponto que destaco, é a forte influencia dos americanos do Sacred Reich em “Prognostic of a Great Disaster”, o que para muitos pode parecer ruim, para o NowRong não é, pois quem não lembra do feeling e energia que os americanos passavam em suas músicas, e com os paulistas não é diferente.

Então já sabe o que esperar riffs poderosos, uma cozinha técnica e alternada, e vocalizações excelentes, com composições marcantes e cheias de vida. A produção da bolacha é assinada pela própria banda que contou com auxilio de Lau Andrade, e a clareza e definição dos instrumentos estão ótimas, além do peso necessário e timbres de encher os ouvidos.

Já a parte gráfica foi assinada pelo artista Jean Michel da Designation Artwork, que fez um trabalho simples, porém bem esmerado, com uma capa instigante e belos detalhes no encarte.

Falando das composições em si, desafio o leitor a ouvir “Psycho Violence (Proletarian)”, “Discourse of the Wicked”, “Angels in Hell” ou “Cyborg” e sentir o feeling e energia dessa banda, que se não arremessar você contra a parede pelos seus riffs e agressividade poderosa, certamente deixará você com os olhos marejados pelas belas melodias e por sua construção épica e instigante.

Ah, ainda a tempo de mencionar a bela versão de “Trem do Inferno” da banda Cretinos e canalhas, e informar o caro leitor, corra logo atrás de sua cópia, pois bandas assim tendem a triturar seu pescoço e deixá-lo emocionado por suas composições.


Conheça mais a banda:


Assessoria: Metal Media

Tracklist:
01 Intro
02 Psycho Violence (Proletarian)  
03 Discourse of the Wicked  
04 End of Question  
05 Taste the Hate  
06 Angels in Hell  
07 The Watcher's Agony  
08 The Morals  
09 Society  
10 Cyborg  
11 Frenesy  
12 Epic Fail  
13 Trem do Inferno (Cretinos e canalhas cover) - Bonus Track


Formação:
Dio MadLock (Guitarra/Vocal)
Rafael Bread (Guitarra/Backing Vocal)
John Wolf (Baixo/Backing Vocal)
Arth Castro (Bateria)


15 de abril de 2014

Resenha - Banda: Shadows Legacy - Álbum: You're Going Straight To Hell (2014)

Resenha por: Renato Sanson


Acredito que no Heavy Metal existem dois padrões em que as bandas seguem umas que demoram de dois a três lançamentos até lançar seu álbum clássico ou o mais aclamado, e outras que logo no primeiro disco lançam um clássico do estilo.

E o Shadows Legacy se encaixa no segundo quesito, pois o que ouvimos em seu primeiro lançamento “You're Going Straight To Hell” é de uma perfeição tamanha, que não levará muito tempo para se tornar um clássico do Heavy Metal.

Para quem não sabe, o Shadows Legacy executa um Heavy Metal Tradicional que bebe na fonte oitentista, com boas referencias de Exciter, Judas Priest e Running Wild, mas com sua própria particularidade nas composições.

De “Die With Your Honesty” a “We Are the Legacy” temos uma verdadeira aula metálica, com seus riffs pesados, melodias pegajosas, cozinha pulsante e técnica, sem contar as excelentes linhas vocais, pois Willie Cardoso é dono de um timbre bem particular, além de apresentar muita potência e ótimas alternâncias. E para abrilhantar ainda mais o álbum, “You're Going Straight To Hell” conta com a participação da lenda Blaze Bayley em uma das faixas, fazendo um belo dueto com Willie.

A tempo de mencionar a bela produção sonora, que ficou a cargo de Aldo Carminefoi feita no Estúdio Anúbis, deixando todos os instrumentos bem esmerados e limpos, com peso na medida certa, além de certo realce nas melodias.

Enfim, corra atrás do seu e ouça um dos melhores discos de Heavy Metal já lançados no Brasil!


Conheça mais a banda:


Assessoria: Metal Media


Tracklist:
01 Die With Your Honesty
02 You're Going Straight To Hell
03 Harvester
04 Rage and Hate
05 I Remember My Friend
06 The Sky Is Falling Down
07 Hate Within (feat Blaze Bayley)
08 Sacred Fire
09 We Are the Legacy


Formação:
Wille Cardoso (Vocal)
Leandro Motta (Guitarra)
Max Batista (Guitarra)
Luciano Rivero (Baixo)
Augusto Morais (Bateria)

12 de abril de 2014

Entrevista: Reis do medo - Inspirados, gélidos e poderosos!

Entrevista por: Renato Sanson
Tradução: Rodrigo Goulart


Das profundezas mais gélidas do Black Metal, nasce o King Fear, banda alemã formada pela mente insana de Mål (guitarra) e que conta com Nachtgarm (ex-Dark Funeral) nos vocais.

Lançado no Brasil via Shinigami Records, o primeiro álbum do King Fear “Frostbite” vem recebendo boas criticas, além de ser considerado uma das gratas revelações do Black Metal nos últimos anos.

Batemos um papo com a mente pensante do grupo, o guitarrista Mål, que nos fala do processo de composição do álbum, suas inspirações, e de como enxerga a boa recepção do disco no Brasil.

 Com vocês Mål:

Heavy And Hell: O King Fear está na ativa desde 2011, e após o lançamento do EP que leva o nome da banda em 2013 vocês lançaram o primeiro álbum, "Frostbite". Poderia nos contar mais sobre o processo de composição do mesmo?

Mål: Inspirado pela grande história do montanhismo criamos um conceito baseado na “conquista do inútil” – o desejo possessivo da humanidade de chegar ao pico da montanha mais alta.

Enquanto o nosso vocalista Nachtgarm viajou pelo mundo tocando com o Dark Funeral, eu me mudei para o deserto austríaco para criar novas músicas. O novo ambiente é sempre uma boa fonte de inspiração. Estando nas montanhas, fui possuído pela idéia de criar um álbum nessa impressão! De volta à Hamburgo nós fomos ao estúdio e o fizemos como está agora.

O título representa sobre o que o nosso novo álbum trata. À primeira vista “Frostbite” é uma simples palavra, mas sob uma inspeção mais profunda revela uma força incomum, além do verdadeiro sentido da palavra, “Frostbite” oferece mais. O termo “Isbitna” (mordido por gelo), por exemplo, expressa a fascinação por gelo em suíço. Essa obsessão nos inspirou muito na hora de escrever as músicas.

HAH: O que podemos perceber em "Frostbite" é aquele Black Metal denso e gélido, com boas pitadas de Death Metal, porém mais moderno e melodioso que o convencional. Isto foi proposital?

Mål: Sim, nós podemos dizer isso, mas não tenho certeza sobre a parte do Death Metal; nós apenas quisemos ter um som mais pesado, pois nossas novas músicas são realmente pesadas. Além disso, temos uma guitarra com afinação mais baixa, talvez seja isso o que faça o nosso álbum soar como Death Metal para algumas pessoas.

Eu não pensava em Death Metal enquanto escrevia. Eu acho que os riffs são mais uma mistura de Black Metal e Rock’n’Roll, mas devemos dizer, nós criamos músicas, mas raramente as julgamos... Outras pessoas podem fazer isso. Porém, tu estás certo em alguns pontos. Com o nosso EP de 2012, percebemos qual manto musical o KING FEAR veste melhor. O poder do nosso material nós gostamos muito e é por isso – tirando a música “Empreires Aloft” – que nos raramente temos blast beats nas novas músicas.

Confira resenha de "Frostbite" AQUI
HAH: Após a saída de Nachtgarm do Dark Funeral, ele trouxe alguma influência do som para o King Fear?

Mål: Nachtgarm é o vocalista do KING FEAR então, naturalmente ele gravou o disco. A influencia dele na organização do vocal é sempre ótima. As letras foram escritas por mim, mas como as músicas são interpretadas é trabalho exclusivo dele. Um bom exemplo disso é a música título de “Frostbite”. O jeito que ele “dá vida” à música e “mata-a” com a sua voz ao mesmo tempo, nenhum outro vocalista conseguiria fazer.

HAH: "Frostbite" foi lançado ano passado no Brasil pelo selo Shinigami Reocrds, onde também consta como bônus o EP "King Fear". Como está sendo está parceria? Vocês têm acompanhado as resenhas que saem do disco no Brasil?

Mål: Eu mesmo sou dono de um selo na Alemanha chamado QUALITY STEEL RECORDS. Através de QSR nós liberamos todos os trabalhos do KING FEAR na Europa. Para outras regiões procuramos parceiros de licença. “Frostbite” saiu na Europa via QUALITY STEEL RECORDS, no Brasil via Shinigami Records, Mexico & USA via Oz Productions e Argentina via DEL IMAGINARIO DISCOS.

Sim, nós seguimos a mídia e realmente apreciamos todas as reações. Até as ruins... (risos).

HAH: Em termos de recepção, como vocês enxergam a receptividade por parte dos fãs, tem sido o esperado?

Mål: Muitas pessoas parecem gostar do nosso som. Como sempre digo em entrevistas: Nós ainda esperamos por reações realmente ruins. Como uma banda de Black Metal é legal ser odiado também... (risos).

HAH: Quais os planos da banda para 2014, ha alguma possibilidade de shows no Brasil?

Mål: Não, não iremos tocar ao vivo este ano! Mas terão vários shows do Nacgtgarm com a banda Negator, as pessoas deveriam conferir.


HAH: Gostaria muito de agradecê-los pelo tempo cedido e deixo o espaço final a vocês.

Mål: Obrigado pelo apoio! Vida longa ao REI!

 Conheça mais a banda:






11 de abril de 2014

Resenha - Banda: Motosserra Truck Clube - Álbum: Na Estrada (2012)

Resenha por: Renato Sanson


Rockão sujo, agressivo e com letras sacanas e bem humoradas. É isso que você irá encontrar no primeiro disco dos mineiros do Motosserra Truck Clube, que lançaram em 2012 o sacana “Na Estrada”.

Para os fãs de Matanza, Baranga e Velhas Virgens será um prato cheio, porém o Motosserra vai além, principalmente no instrumental, que alia bastante influencias do Heavy Metal, passando pelo Thrash e Southern.

Com letras em português que relatam momentos mais do que engraçados contando histórias de boleias de caminhão, bares, brigas, mulheres e etc, os caminhoneiros do Truck Clube aliam tudo isso a um instrumental preciso e pesado, além de vocais rouco-agressivos de ótimo nível.

Com uma boa produção o disco apresenta vários destaques, como: “Cafetão de Bueiro” (letra hilária), “Na Estrada” (uma verdadeira pedrada), “Madeira” (excelentes guitarras), “Joga a Mãe” (tirando a letra que rouba a cena, o instrumental arrebenta) e “Os Caçadores de Ressaca” (instrumental instigante e pulsante).

Uma ótima estréia, que alia humor e música pesada, mas com muito profissionalismo e cuidado, se destacando dos demais que já transitam por esta vertente.


Conheça mais a banda:



Formação:
Thiago Giovanella (Vocal)
Raphael Wagner (Guitarra/Vocal)
Daniel Botrel (Guitarra/Vocal)
Odillon Piassa (Baixo/Vocal)
Bruno Rodrigues (Bateria)

Tracklist:
01 Na Estrada
02 Volvorine
03 Num Vai Prestá
04 Madeira
05 Cafetão de Bueiro
06 Joga a Mãe
07 Born to Be Uai
08 Os Caçadores de Ressaca
09 Catapulta
10 Risca Faca
11 Tira-Gosto
12 É o Fim


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