18 de março de 2018

Resenha - Banda: Enslaved - Álbum: E (2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)


Resenha por: Renato Sanson


Quando se pensa em Black Metal com influencias progressivas logo nos vêm em mente os noruegueses do Enslaved, que desde 1994 molda sua sonoridade e a distância do Metal negro, devido suas inclusões progressivas e viajantes que adotam.

Pois bem, em 2017 o Enslaved traz seu 14° álbum de estúdio, sob o nome de “E”, e a proposta segue a mesma, ainda mais intrincada, progressiva e agressiva, já que podemos notar em muitos momentos a veia Black Metal, mas é sucumbida pelas mesclas sonoras, o que de fato não é novidade em sua trajetória.

Musicalmente é um álbum de difícil assimilação já que são necessárias várias audições até pegar bem a proposta (para quem já gosta da banda sabe bem disso, porque de fato não tem disco “fácil” em sua discografia), são muitas passagens e momentos variados, mas que apresentam ótimo equilíbrio quando você consegue entender sua música, que atrás até mesmo momentos mais atmosféricos e com boas melodias.

Em termos individuais os músicos dão um show à parte e mostram um alto nível surpreendente, deixando a sonoridade ainda mais intrincada e variada.

Sim, o Enslaved pode ser considerado o “Pai” do Progressive Black Metal, e mesmo que não agrade os mais radicais por constar o termo “Black Metal”, sua qualidade é latente e surpreende positivamente até os que não gostam do estilo.

Links de acesso:


Tracklist:
1. Storm Son
2. The River’s Mouth
3. Sacred Horse
4. Axis of the Worlds
5. Feathers of Eolh
6. Hiindsiight
7. Djupet
8. What Else is There?

Formação:
Grutle Kjellson - Vocais, baixo
Ivar Bjørnson - Guitarras, teclados, backing vocals
Arve Isdal - Guitarra solo
Cato Bekkevold - Bateria, percussão
Håkon Vinje - Teclados, vocais limpos

10 de março de 2018

Resenha - Banda: Pänzer - Álbum: Fatal Command (2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)


Resenha por: Renato Sanson


O “projeto” que agora é banda, os germânicos do Pänzer chegam ao seu segundo disco, mas com sua formação reformulada, estando com os remanescentes Schmier (Destruction) e Stefan Schwarzmann (ex-Accept e Helloween), tendo em suas lacunas os recém-chegados: V.O. Pulver (Gurd e Poltergeist) e Pontus (Hammerfall).

A ideia musical se mantém, com aquele Heavy Metal clássico ganchudo e cheio de vitalidade, com refrãos marcantes e aquela pegada alemã que todos conhecem. Com a adição de mais uma guitarra, a dupla Pulver e Pontus demostram um ótimo entrosamento e boas variações, tanto nos solos como nos riffs, que grudam logo de cara, sendo perceptível a grande maturidade que as composições alcançaram neste novo álbum.

Schimer vêm ainda melhor, mostrando muita versatilidade, já que aqui suas linhas vocais são bem diferentes de sua banda principal, tendo mais melodia e dosando a agressividade com seu timbre inconfundível, o que deixa a sonoridade ainda mais distante das bandas principais de seus músicos. Stefan como sempre é preciso e se adapta muito bem ao que lhe é proposto, e casa com as linhas fortes de baixo de Schmier e preenche muito bem os espaços, dando aquele peso e agressividade necessária as composições.

“Faltal Command” é um prato cheio para os fãs de Speed Metal e Heavy Metal tradicional em sua melhor essência, trazendo músicos mais do que carimbados e experientes, em uma união sólida, eficaz e marcante.

Links de acesso:

Tracklist:
1. Satan’s Hollow
2. Fatal Command
3. We Can Not Be Silenced
4. I’ll Bring You the Night
5. Scorn and Hate
6. Afflicted
7. Skullbreaker
8. Bleeding Allies
9. The Decline (...And the Downfall)
10. Mistaken
11. Promised Land
Bonus:
12. Wheels Of Steel (Cover Saxon)

Formação:
Schmier (Vocal/baixo)
V.O. Pulver (Guitarra)
Pontus Norgren (Guitarra)
Stefan Schwarzmann (Bateria)





14 de fevereiro de 2018

Resenha - Banda: Doctor Jimmy - EP: Cotidiano (2018)

Resenha por: Renato Sanson


Nós da Heavy And Hell tivemos mais uma vez o prazer de resenhar um disco antes do lançamento oficial (lançamento previsto para 19/02), e desta vez nos chega em mãos o EP dos catarinenses do Doctor Jimmy, sob o nome de “Cotidiano”.

A sonoridade apresentada é um mix entre o Rock Nacional oitentista de nomes como: Os Cascaveletes e Barão Vermelho (fase Frejat nos vocais) com o Hardcore mais melódico do CPM 22 e Deadfish, tudo muito bem encaixado graças a uma produção coesa e vivida, com ótimo equilíbrio entre melodias e certos momentos mais pesados.

O senso melódico do EP é bem elaborado, assim como a simplicidade que permeiam as composições e deixam as mesmas de fácil assimilação como em: “Você fala demais” (uma bela crítica aos que realmente só falam e nada fazem para mudar ou sair da mesmice) refrão pegajoso e boas linhas de guitarra com uma cozinha bem compassada e firme e “Homens fardados” (falando da impunidade que assola todos nós, sendo muitas dessas injustiças vindas dos ditos “homens de farda”) que conta com a participação de Daniel Russo (A Hora Hard) com guitarras mais diretas e bons solos, sendo que basta poucas audições para sair cantarolando seus versos.

O EP ainda apresenta outros dois destaques a bela balada “Nunca terá fim” com seus ótimos teclados e a que considero o “hit” do trabalho: “Ela sabe das coisas” (contando sobre uma paixão noturna, onde você tem e ao mesmo tempo não tem a pessoa desejada) que conta com a participação de Naldo Arraes (Cherry Ramona) em um ótimo dueto trazendo a veia Hardcore melódico mais à tona.

As composições em si são simples, mas bem estruturadas apesar de fazerem o “feijão com arroz”, porém no que se propõem instrumentalmente dão conta do recado e deixam poucas arestas para serem aparadas.

Mas o ponto que quero chegar são as linhas vocais, que ao meu ver deixaram a desejar, não comprometem o trabalho como um todo, já que bons momentos são perceptíveis, porém poderia ter um pouco mais de imponência e até mesmo soar mais “agressivo”, claro, dentro de sua proposta, não tão “suave” como podemos escutar no EP, para ter maior personalidade e deixar sua marca latente.

Outro ponto que poderia ser revisto é a faixa em inglês “Dont understand”, que não acrescenta em muita coisa ficando bem abaixo das demais em língua pátria.

No mais temos um bom lançamento e uma banda que pode evoluir e chegar longe, já que capacidade mostraram que tem de sobra.

Links de acesso:

Tracklist:
01) Não Tenho Pressa
02) Homens Fardados (Russo)
03) Ela Sabe das Coisas (Naldo Arraes)
04) Você fala demais
05) Nunca Terá Fim
06) Dont Understand

Formação:
Djonatan Bento - vocal
Vito Ventura - guitarra
Endryll Hipolito - teclado
Ronaldo Martins - baixo
Maykon Kjellin - bateria



4 de fevereiro de 2018

Resenha - Banda: Dark Avenger - Álbum: The Beloved Bones: Hell (2017)

Resenha por: Renato Sanson


Foi difícil encontrar o tempo certo para poder redigir essa resenha, já que não se trata apenas de mais uma crítica, mas sim de um grande lançamento onde o seu mentor – o vocalista Mario Linhares – começava a colher os frutos dessa árdua luta no meio musical.

Infelizmente Mario nos deixou (para quem não sabe do ocorrido ou não apurou o que aconteceu com o vocalista acesse: http://bit.ly/2BVycUp), porém sua obra ficou, e jamais será esquecida, tanto no Brasil como fora dele.

Pois bem, em 2017 nascia “The Beloved Bones: Hell”, 4° álbum de estúdio dos brasilienses do Dark Avenger, e o que temos musicalmente é tão grandioso que chega a ser complicado expressar com meras palavras.

Em um tom diferente, mas ainda Dark Avenger, pois a veia progressiva impera, mas não descaracteriza sua essência e traz novos elementos a sua sonoridade, assim como um lado mais obscuro e muito bem explorado, já que o tema lírico do trabalho é conceitual, em volta do embate entre questões emocionais e racionais da mente humana, onde muitas vezes temos que tomar decisões difíceis emocionalmente, mas corretas puxadas para o lado racional em uma narrativa emotiva e temperamental.

Os elementos progressivos casam com essa proposta mais sombria, e fazem das 11 faixas um complemento mais que sinérgico, já que uma completa a outra e traz seus temperamentos diferentes e aguçados, onde as quebras de tempo existem assim como as belas melodias e climas mais amenos e outros mais agressivos, tudo isso comandado pela bela voz de Linhares que estava mais que inspirado, em passagens muito bem construídas e mostrando toda sua versatilidade.

“The Beloved Bones: Hell” foi produzido pelo guitarrista Glauber Oliveira e teve a masterização feita pelo gênio Tony Lindgren (Angra, Dragonforce, Sepultura e etc) deixando uma sonoridade pesada, cristalina e orgânica, sem exceder a modernidade e não esquecendo os timbres gordurosos e dosados. A arte do francês Bernard Bitler enche os olhos assim como todo o trabalho, que veio embalado em um Digipack luxuoso, aquele tipo de material em que você tem prazer em manusear e ficar olhando cada detalhe, simplesmente fantástico.

Essa seria a primeira parte de uma sequencia que viria pela frente, infelizmente ficamos somente nesse início, mas que mostrou toda a genialidade desse que é um dos maiores vocalistas da história do Heavy Metal nacional, sua obra será eterna Mario, só temos a agradecer por ter nos brindado com trabalhos tão magníficos como este.


Links:


Formação:
Mario Linhares (vocal)
Glauber Oliveira (guitarra)
Hugo Santiago (guitarra)
Gustavo Magalhães (baixo)
Anderson Soares (bateria).

Tracklist:
01. The Beloved Bones
02. Smile Back to Me
03. King for a Moment
04. This Loathsome Carcass
05. Parasite
06. Breaking Up Again
07. Empowerment
08. Nihil Mind
09. Purple Letter
10. Sola Mors Liberat
11. When Shadow Falls (Bonus Track)

22 de janeiro de 2018

Resenha - Banda: H.E.A.T - Álbum: Into The Great Unknown (2017 - Shinigami Records)

Resenha por: Renato Sanson


Homogeneidade é algo importante para o desenrolar de um disco, até para poder prender o ouvinte, claro que surpresas são bem-vindas, mas quando vamos do céu ao inferno soa de uma forma um tanto desconexa.

Em seu quinto álbum os suecos do H.E.A.T trazem aquele seu Hard Rock característico e cativante, mas não tão alegre e pomposo como nos trabalhos anteriores, se tem maiores variações e melodias mais frias, porém o contraste de “Into The Great Unknown” é o “Calcanhar de Aquiles”, já que as composições não seguem um padrão.

Do Hard/AOR alegre de  “Bastard of Society” à a quase melancólica “Redefined” soa com certa estranheza, não que as composições em si não tenham qualidade, muito pelo contrário, mas os climas apresentados soam de uma forma não tão singular.

A produção de alto nível continua e os timbres bem postados, já que temos também o contraste de influencias eletrônicas ao decorrer do álbum assim como teclados bem salientes, mas tudo calculado e bem compassado.

Tirando o fato de não ser um álbum homogêneo, “Into The Great Unknown” mostra boas melodias, não tão alegres como de costume, mas que pegam o ouvinte desde a primeira ouvida, e as composições menos melodiosas e com um ar mais obscuro se sobressaem, seja por suas estruturas ou pelos seus momentos grudentos.

Um tanto diferente do que estão acostumados a criar, mas sair de sua zona de conforto é necessário e abrem novos caminhos com toda certeza.


Links:

Formação:
Erik Grönwall - Vocais
Sky Davids - Guitarras
Jona Tee - Teclados
Jimmy Jay - Baixo
Crash - Bateria, percussão

Tracklist:
1. Bastard of Society
2. Redefined
3. Shit City
4. Time on Our Side
5. Best of the Broken
6. Eye of the Storm
7. Blind Leads the Blind
8. We Rule
9. Do You Want It?
10. Into The Great Unknown

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