11 de junho de 2017

Resenha - Banda: The Doomsday Kingdom - Álbum: The Doomsday Kingdom (2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Uillian Vargas


Impulsionado pelos ventos frios que sopram do mar báltico The Doomsday Kingdom se insurge para o mundo com seu self titled álbum. Apesar de o nome da banda (e do álbum) sugerir um reinado em apocalipse, dentro do gênero musical proposto, a Suécia é um reino em absoluta ascensão e tem presenteado o mundo do metal com grandes nomes que procederão ao tempo de sua existência. Sobrevindo de dois pré-lançamentos liberados em 2016 (Never Machine Demo EP com quatro músicas e Never Machine Sinlge – duas versões) o full length ganha mercado com oito belíssimas músicas, e algumas irão de encontro ao do doom metal enquanto outras irão demonstrar reforço ao estilo. Não há muito mistério, basta tonificar a afinação, distorcer o baixo ao máximo possível, adicionar uma bateria cadenciada e somar um vocal marcante. Será mesmo que dá para definir o estilo com estes ingredientes? Veremos!

Não há intenção nenhuma de “inventar a roda”, ela já existe e funciona muito bem por sinal. Neste sentido a música de abertura executou muito bem o chek-list. Leif Edling – backing vocal e baixo - (The Doomfather) acrescenta um vocal, um tanto, agudo para o estilo. Mas “calma lá”, não se deixe contaminar pela levada do vocal, o Doomfather sabe o que está fazendo, pois andou aprendendo com gente que está há muito tempo trilhando esse caminho. Integrou (ou integra) bandas renomadas: ex-Witchcraft, ex-Krux, ex-Nemesis, ex-Trilogy e atualmente Candlemass, Leif Edling e Avatarium (além do The Doomsday kingdom, claro). Então escute com atenção, pois a velha escola está presente o tempo todo durante as execuções. E já na “Silent Kingdom” isso fica bem marcado nas guitas e no baixo, que alternam entre o arrastado e ritmo cadenciado. Uma guirlanda sonora perfeita, do tipo que fica pendurada na porta da entrada da casa, dando um sinal de como é o clima dentro da residência. Aqui, a guirlanda se completa com um crucifixo invertido, ainda assim, sejam muito bem-vindos! “Never Machine” se percebe toda sensibilidade e dinâmica sonora da banda. Por ter sido single e demo se conclui que foi a música de maior trabalho da banda, fica menos difícil entender toda sonoridade composta em torno dessa faixa. Eis um espécime perfeito do doom metal muito bem construído. Surpreendente mesmo é “See You Tomorrow” momento em que Niklas Stålvind (Steelwind em inglês) – vocal - não se faz presente, pois a faixa trata de uma instrumental. Nesse instante o clima doom se dispersa e o que se escuta verte de toda inspiração folclórica da banda. Alguém, ouvindo, há de pensar em vento, folhas caindo, muito verde, rituais pagãos e evocações. De fato, há tudo isso na faixa, mas talvez se perguntar ao compositor, é possível que ele diga que não há nada disso na inspiração. Magia pura!

Tendo criado o clima de desconexão com o disco, chega “The Sceptre”. Particularmente, o possível ponto mais alto do disco. Guitarras fraseadas, grudadas uma na outra por riffs poderosos e contagiantes. Eis o momento em que a banda esbanja conhecimento musical e criatividade para fazer “chover no molhado” com uma perfeição admirável.  Ao ouvir, não haverá surpresa ou referência, mas o ouvido é simplesmente compelido a entender que, o que se escuta vem acompanhado de alta qualidade e merece replay (quantos forem necessários).

Inteligentemente a partícula divina fecha o álbum com um tijolasso providencial. “The God Particle”, arrastada em sua essência e entoando clima obscuro e denso, deixa perceptível a intenção da arquitetura sonora construída para a faixa. A revelação vem em forma de uma música mais calma (porém não tranquila) que servirá de créditos finais. As letras que sobem a tela ao final do filme ilustram os créditos dos integrantes em que deixam claro que “haverá mais”, sempre haverá mais! Inteligentemente, foi à palavra que usei para iniciar o parágrafo. A razão disso, é que “The God Particle”, além de muito bem arquitetada musicalmente, carrega na carona uma letra fascinante. Brincam com informações astrofísicas, sensações e situações, um prato cheio para que gosta de algo mais do que “simplesmente” música.

“Are we stuff of stars?
Vagabonds in time?
Aftershocks of chaos
Still makes waves in my wine…” - The God Particle

A grande verdade é que não há termômetro melhor do que colocar a bolacha pra rodar e medir as próprias conclusões, curiosidades e percepções. O álbum chega ao Brasil, mais uma vez, pelo excelente trabalho realizado pela Shinigami Records. Busca pelo face da Shinigami e se liga no face da banda, em ambos, novidades irão pintar. Não fica por fora do que acontece pelo mundo.


Line Up:
Niklas Stålvind - Vocal
The Doomfather - Baixo, Vocal (faixa - 8), Guitarra
Andreas Johansson – Bateria
Marcus Jidell     - Guitarra

Track list
1 - Silent Kingdom
2 - Never Machine         
3 - A Spoonful of Darkness        
4 - See You Tomorrow - instrumental
5 - The Sceptre  
6 - Hand of Hell
7- The Silence  
8 - The God Particle       






5 de junho de 2017

Resenha - Banda: Dimmu Borgir - Álbum: Forces of the Northern Night (Duplo Ao Vivo - 2017 - Shinigami Records/Nuclear Blast)

Resenha por: Renato Sanson


Eis o mais novo ao vivo dos noruegueses do Dimmu Borgir, que colocam no mercado “Forces of the Northern Night”, disco este que contou com a participação especial da The Norwegian Radio Orchestra & Choir.

Gravado em Olso no ano de 2011, temos toda a magnitude de um álbum ao vivo com orquestra, no caso do Dimmu que já usa esses artifícios em estúdio há algum tempo o impacto não parece ser tão grande, ainda mais que a banda priorizou em seu setlist as músicas do álbum que divulgavam na época, “Abrahadabra” (10), que por coincidência (ou não) contou com a participação da The Norwegian Radio Orchestra & Choir.

Verdade seja dita, o Dimmu Borgir cresceu absurdamente nos últimos quinze anos, onde se distanciou do Black Metal em si, adicionando novos elementos em sua sonoridade, ganhando o mainstream e perdendo alguns fãs.

Falando do ao vivo em questão, o primeiro disco é praticamente todo em volta de “Abrahadabra” (com uma exceção, “Eradication Instincts Defined” que pertence a “Death Cult Armageddon” (03), e que aqui é apresentada somente de forma orquestrada), e que não traz grandes diferenças do estúdio, a banda segue extremamente bem entrosada, parecendo uma máquina de alta tecnologia que não apresenta erros, claro que ao vivo as composições soam mais fortes, e temos a interação do público, que quando solicitado responde a altura.

Mas se você não gosta dessa fase mais atual da banda, esse primeiro lado da bolacha certamente não irá lhe agradar. Partindo para o lado b, temos aí uma enxurrada de clássicos (claro que faltaram muitos, principalmente músicas do “Stormblåst”), que trazem as composições redefinidas para este conceito mais orquestrado, e que trouxe ótimos momentos e outros nem tanto. Como em “Puritania” que perdeu o impacto com as orquestrações.

Porém a insubstituível “Kings of the Carnival Creation” ficou soberba, ainda mais com os coros orquestrados substituindo os vocais limpos, deixando-a ainda mais grandiosa.

Um trabalho grandioso, pomposo e desafiador, tudo que o Dimmu Borgir vem fazendo nesses últimos anos. E esse ao vivo mostra essa capacidade destemida de arriscar e trazer o diferente para seus fãs.

Links de acesso:

Tracklist:

Disco 1:
1. Xibir (orchestra)
2. Born Treacherous
3. Gateways
4. Dimmu Borgir (orchestra)
5. Dimmu Borgir
6. Chess with the Abyss
7. Ritualist
8. A Jewel Traced Through Coal
9. Eradication Instincts Defined (orchestra)

Disco 2:
1. Vredesbyrd
2. Progenies of the Great Apocalypse
3. The Serpentine Offering
4. Fear and Wonder (orchestra)
5. Kings of the Carnival Creation
6. Puritania
7. Mourning Palace
8. Perfection or Vanity (orchestra)

Formação:
Shagrath - Vocais
Silenoz - Guitarra base
Galder - Guitarra solo

Convidados:
Agnete Kjølsrud - Vocais femininos em “Gateways”
Cyrus - Baixo
Gerlioz - Teclados
Daray - Bateria
The Norwegian Radio Orchestra - Orquestra
Schola Cantorum Choir - Coral

4 de junho de 2017

As resenhas agora também figuram diretamente em nossa Page no Facebook!

Para manter as redes sociais também ativa, o HEAVY AND HELL resolveu publicar algumas resenhas diretamente em sua página oficial no Facebook.

Isso não significa que as resenhas serão só publicadas na Page, iremos intercalar, algumas sairão na página e outras no site, para manter ativo ambos os canais.

Confira quais resenhas saíram diretamente em nossa página:


No Gracias - EP: "Vista do jogo": http://bit.ly/2rGejPI



The Cross - EP: "Flames Through Priests": http://bit.ly/2s7ffgz



Parris Hyde - Álbum: "Mors Tua Vita Mea": http://bit.ly/2sEdW5l


30 de abril de 2017

Resenha - Banda: Exiled On Earth - Álbum: Forces of Denial (2016)

Resenha por: Uillian Vargas
Note/rate: 8,0/10


Ricos ou pobres, brancos ou pretos, índios ou não, estamos todos (sem exceção) condenados a uma condição única: nascer, viver e morrer no planeta Terra (por enquanto). Pouco importa a soma contida em sua conta bancária (ou no colchão). Estamos todos, um a um, exilados na terra! Cada dia que nos é concedido, gastamos da melhor maneira possível que encontramos em nosso destino (sina, carma, ou como queira chamar, não importa).

Sei de italianos que gastam esses segundos diários compondo e fazendo um barulho, com muita qualidade e referência de sobra. EXILADE ON EARTH (Itália) concentra todo sentimentalismo latino e nos presenteia com FORCES OF DENIAL. Mas atenção ao detalhe da palavra “sentimentalismo”, pois ódio, também é um sentimento, então não subestime a obra pela descrição! 
A destruição começa com um som que dá nome ao disco – “Forces of Denial” – e tratam-se de 04m37s de pancadaria generalizada. Rápida, elaborada e um belo exemplo de como um Thrash Metal pode ser redesenhado à moldura do nosso tempo, adicionando elementos pontuais. Tudo evolui e quando bandas oxigenadas surgem com algo clássico trazendo nova roupagem, isso tem que ser ressaltado. Sim oxigenada, pois a Exiled On Earth não pode ser chamada de “nova”. Já que está na ativa desde 1995 (tinha outro nome: Maelstrom. mas a fúria, era exatamente a mesma). Houve alterações no lineup, mas nada mudou. Correto?   

- Errado! Há sim uma mudança significativa. A Maelstrom focava mais em uma composição e execução puramente Thrash Metal. E muda a nomenclatura para adicionar o ingrediente “Progressivo Power” que deixou as composições muito mais fluídas e orgânicas. Rápidas, cruas, cheias de referências e ao mesmo tempo, elaboradas e cheias de contextos. Sonoridade única e conteúdo agregado, praticamente uma receita que não parece muito fácil de implementar.  Ao exemplo de “Hypnotic Persecutions” em que o “tic-tac” de um relógio se funde no tremular das cordas do baixo e culminam em um riff batido e rápido, velho conhecido dos fãs de Power Metal. O que o segundo ato da música revela é que ela é um grito de alerta: “Cuidado, essa realidade que você vive, não é sua. Está sendo construída por maquinas matrizes”. E segue a linha da velocidade, agressividade e vocal rasgado como um sinônimo de fúria em seu DNA. Não se iluda, não existem novatos envolvidos nesta construção. Por mais que se trate da “nova formação”, ela data dos anos 2000, então as cartas estão todas jogadas na mesa.

E se “onde há fumaça, há fogo”, onde há “gente que curte heavy tradicional, há resíduos dele”, e assim a “Underground Intelligence” entrega de bandeja essas transições audiofonadas. Belo exemplo de como o velho Heavy pode impulsionar composições dinâmicas e enérgicas, na atualidade. Atenção especial para as cordas de Alfredo Gargaro e Tiziano Marcozzi, passando licks respeitosos à composição.


A bolachinha atravessou o mar mediterrâneo e o atlântico para chegar até a “terra brasilis”, não deixe que nossas impressões sejam as únicas certezas em torno da obra. Adquira, escute, analise e tire as suas próprias conclusões em torno do que foi dito e do que será ouvido. Segue a bandas nos principais canais para se manter atualizado das novidades. 


  
Membros:
Tiziano Marcozzi – Vocal e Guitarra
Alfredo Gargaro - Guitarra
Gino Palombi - Baixo
Piero Arioni – Bateria

Músicas:
1 - Forces of Denial
2 - The Glory and the Lie
3 - Hypnotic Persecutions
4 - The Mangler              
5 - Vortex of Deception              
6 - Underground Intelligence
7 - Into the Serpent's Nest
8 - Lifting the Veil

19 de março de 2017

Resenha - Banda: Tombeto Centrale - Álbum: Il Silenzio Della Collina (2016)

Resenha por: Uillian Vargas
Note: 07/10


Praticamente em seu início de carreira, surgida em 2012 em Borgo a Mozzano (encravada na encosta do Fiume Serchio na Itália), a banda Trombeto Centrale libera seu primeiro álbum – IL SILENZIO DELLA COLLINA.

Ainda que o nome do disco remeta a uma ideia de suspense ou thriller (Silent Hill), o clima do disco não é bem este. Retratando sonoramente as características mais sólidas do Indie Rock, a banda nos apresenta dez músicas, dez cartões de visita para gravar a impressão sensorial do trabalho. Não seria justo caracterizar o trabalho como um grande marco para o Indie Rock italiano, porém é inegável a presença de que houve inspiração na construção do trabalho. As baladas passam uma carga sentimental significativa, ressaltando toda latinidade romântica italiana. 
 
Como identificar que uma banda tem muito a oferecer com o tempo? Preste atenção no início de “Desiderio Seplice”, a intro do som e a pegada da guitarra entregam algo que desperta atenção. O fato é que os italianos fizeram a travessia do estreito de Gibraltar e chegaram a “Terra Brasilis” para mostrar o som da emoção e feeling profissional do seu primeiro álbum. Visualmente o trabalho já deixa claro que o grupo está muito direcionado ao profissionalismo. A capa lembra pinturas rupestres em cores acidentadas com tons de vermelho (saudade e paixão), foi criada por Matteo Bidini. Il Silenzio Della Collina ganhou vida através do estúdio Qua Rock Records.

Percam-se nesta colina silenciosa e aproveitem o som!

Conheçam mais do trabalho da Trombeto Centrale na página do facebook da banda e no site.

Links de acesso:

Formação:
Luca Giannotti – vocal e guitarra
Riccardo Franchi - bateria
Luca Franchi – baixo

Setlist:
1. Fa# economico
2. Social Network
3. Fiori Serpenti
4. Il Venditore di Tappeti
5. Mr Beaver
6. Desiderio Semplice
7. Viandante (sul mar di nebbia)
8. L'altra
9. Scrooge MD
10. Il Silenzio della Collina



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